A transição não começa quando dizemos “acabou”. Ela começa na forma como preparamos a criança para sair de uma atividade e entrar na próxima. Para algumas crianças, interromper algo prazeroso exige tempo, compreensão do que vem depois e uma maneira concreta de participar da mudança.
Descubra qual parte é difícil
Às vezes o problema não é a mudança inteira. Pode ser parar sem concluir, caminhar por um corredor barulhento, guardar muitos objetos, não saber o destino ou encontrar uma tarefa difícil depois. Observe em qual ponto a tensão aumenta.
Quando identificamos o obstáculo, a adaptação fica específica. Um fone pode ajudar no corredor; uma caixa pode simplificar a organização; uma imagem pode explicar o destino.
Use avisos que tenham significado
Dizer “faltam cinco minutos” só ajuda quem entende essa duração. Combine fala com timer visual, música curta, contagem de últimas ações ou cartões. Exemplos: “mais duas voltas”, “último vídeo” ou “quando o ponteiro chegar aqui”.
Evite repetir o aviso muitas vezes e depois adiar. A previsibilidade depende de o adulto cumprir o que anunciou.
Ofereça controle dentro do possível
A criança talvez não possa escolher se irá para a escola, mas pode escolher qual mochila levar, apertar o botão do elevador ou carregar a imagem da próxima atividade. Pequenas decisões reduzem a sensação de que tudo está acontecendo sobre ela.
Apresente duas opções aceitáveis. Perguntas abertas demais podem aumentar a carga de decisão no momento de tensão.
- “Você guarda os blocos ou os carrinhos primeiro?”
- “Vamos até o banheiro pulando ou andando devagar?”
- “Quer levar o livro ou a bola no carro?”
Crie uma ponte entre as atividades
Levar um objeto pequeno, cantar a mesma música ou cumprir uma missão pode conectar começo e fim. A atividade de transição deve ser simples e conhecida, não mais uma exigência complexa.
Em transições muito difíceis, coloque uma experiência breve e reguladora antes da próxima demanda: beber água, sentar em local tranquilo ou realizar um movimento preferido.
Revise o plano depois
Registre qual aviso foi usado, quanto tempo a transição levou e o que pareceu ajudar. O objetivo não é eliminar toda frustração, mas tornar a mudança compreensível e segura.
Se a criança sempre entra em sofrimento na mesma transição, repense também a atividade seguinte. Às vezes é preciso adaptar a demanda, o ambiente ou o apoio, e não apenas insistir no encerramento.
Perguntas frequentes
E se a criança ignorar todos os avisos?
Verifique se o aviso é compreendido e se realmente prevê o encerramento. Mostre visualmente, reduza a linguagem e comece treinando em mudanças mais fáceis.
Devo dar prêmio em toda transição?
Não necessariamente. A própria atividade seguinte pode ser agradável, e elogios específicos podem reconhecer a participação. Apoios extras podem ser usados de forma planejada e depois reduzidos.
Fontes consultadas
- Autism Spectrum Disorder: The Learning Environment — IRIS Center — Vanderbilt University.
- Autism spectrum disorder in under 19s: support and management — NICE.