Um recurso de Comunicação Aumentativa e Alternativa pode estar bem organizado e ainda assim ser pouco utilizado se ninguém espera uma resposta, reconhece uma escolha ou responde a uma recusa. Comunicação acontece entre pessoas. Por isso, o parceiro também precisa observar e ajustar sua participação.
Combine com a equipe como o recurso será usado
A escolha de símbolos, organização, acesso e vocabulário deve considerar a pessoa e, quando necessário, avaliação especializada. Não existe uma prancha universal que atenda a todos. Se já há um sistema estabelecido, converse com os responsáveis antes de reorganizá-lo ou substituí-lo.
O parceiro pode aprender onde ficam mensagens úteis e como apoiar o acesso. Uma dúvida prática vale ser explicitada: a criança consegue alcançar o recurso na mesa, no chão e durante a transição? Um sistema guardado no armário não está disponível para uma conversa que surge espontaneamente.
Reconheça funções diferentes da comunicação
Escolher, recusar, pedir ajuda, comentar, perguntar e chamar alguém são possibilidades de participação. Os direitos da comunicação incluem essas funções e o acesso a um sistema utilizável. Não condicione a resposta a uma palavra falada ou a contato visual.
Durante uma brincadeira com blocos, a pessoa pode indicar “caiu”, “de novo” ou “não”. Responder ao comentário com uma observação sobre a torre mantém a conversa. Transformar cada mensagem numa prova de nomeação pode interromper a troca que estava acontecendo.
Referência: National Joint Committee — ASHA.
Espere sem fazer da espera uma pressão
Apresente uma oportunidade compreensível e deixe espaço para resposta. Evite repetir a pergunta de muitas formas seguidas ou responder pela pessoa imediatamente. O tempo necessário varia com a tarefa, o acesso e a familiaridade com o parceiro.
Observar silêncio não significa saber o que a pessoa quer. Ofereça esclarecimento ou uma maneira de encerrar a interação. A intenção é permitir uma mensagem, e não esperar indefinidamente até surgir a resposta que o adulto desejava.
Repare mal-entendidos em parceria
Se não entendeu, diga de modo simples o que conseguiu compreender e peça uma pista adicional. “Entendi que você quer mudar; é o material ou o lugar?” pode ajudar se essas alternativas forem acessíveis. Evite fingir entendimento e conduzir a situação como se a escolha estivesse clara.
Registre quais situações favorecem a comunicação e quais barreiras aparecem. Leve esses exemplos à equipe para ajustar vocabulário e acesso. A quantidade de símbolos selecionados não resume a qualidade de uma conversa; poder ser ouvido, influenciar o que acontece e manter relações também importa.
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Perguntas frequentes
Preciso exigir que use a prancha em toda resposta?
Não. Reconheça as formas de comunicação compreensíveis e mantenha o recurso disponível. Não invalide fala, gestos ou outras mensagens para forçar um único meio.
Posso usar CAA apenas na atividade pedagógica?
A comunicação precisa acompanhar a vida cotidiana. Combine acesso em diferentes situações e com diferentes parceiros, respeitando o sistema individual.
Sobre este conteúdo
Projeto de Filipe Amorim. As fontes oferecem contexto; os exemplos não são relatos de atendimentos nem prescrições individuais.
Fontes consultadas
- Communication Bill of Rights, 3rd Edition — National Joint Committee — ASHA.
- Inclusion of Individuals With Severe Disabilities — National Joint Committee — ASHA.